Anxiety

One of the most striking things I see in this pandemic is anxiety. COVID-19 broke out abruptly, changing our lives, and bringing uncertainty. We have lost control over many things, individually and collectively, and we have to adjust to a new reality. Anxiety is the body’s response to this stress, a feeling of fear or apprehension about what is going to happen. We expect the worst, and how can we not, with so much bad news in the media, with so many political and economic issues going on?

Being infected is also having no control over what will happen. How will your body react to the virus? The disease is very recent, tests are often not available and expensive, and there is no specific treatment. Many people are afraid of dying. Many people are concerned for those close to them, especially for the elderly and vulnerable.

I received many kind messages from friends and acquaintances when I revealed that I had become infected with covid-19. I realize that I am loved, and it is a comfort. My family wants to hear the news. Some colleagues want to help, but without realizing it, they make morbid comments, or send dramatic scientific articles, or ask me why I am not using hydroxychloroquine. Yesterday I told a doctor friend that I had woken up feeling better. Angry at the country’s political moment, and frightened by the current situation, she replied that a well-known doctor had improved like me, but days later he had been intubated.

That was the last straw. I was tired of talking to so many people, listening to so many recommendations, worrying about the evolution of my symptoms. Fear of the unknown spread. I suddenly realized that my dyspnea had worsened. That my hands were cold, that I had tachycardia. I recognized my anxiety, and realized that I was on the verge of a panic attack. After all, I had no fever and my cough had improved. It wasn’t my lungs. I tried to calm down. I closed my eyes, started doing breathing exercises. I put on some relaxing music, did a little mindfulness practice. The malaise was improving.

I reflected that I have no control over what I am going through now, and that anxiety only makes the symptoms worse. What can I do if I clinically worsen, except seek help? What is the use of anticipating misfortune? I empathize with my colleagues, but many of them are more anxious than I am. I would even say that they are desperate, afflicted with their impotence in the face of this pandemic, afraid of becoming infected. I need to be calm. I get off the internet for a few hours, get distracted by other things, laugh at some silly jokes. I slept a lot, a whole lot. Rest is a holy remedy.

I woke up feeling better. I’ve had no fever for 36 hours. My mood is improving. I put on my red kimono, put on some makeup and quickly got into a virtual morning party called ‘Morning Glory’. There were five hundred people online dancing in their homes, people of all ages, wearing colorful and festive clothes. Vibrant energy. I love a party. I frlt so much better.

In the midst of this pandemic we need to take care of our mental health. We have no control over the virus, but we can take precautions, help flatten the curve, and find creative ways to be at home. Despite the alarming number of deaths, the symptoms of COVID-19, although more unpleasant for some than for others, subside after a few days. Self-isolation is not the end of the world, and when we self-isolate, we are protecting those close to us. Reducing anxiety is essential. It even makes the immune system more combative!

Virna Teixeira

Translated by Chris Daniels

Ansiedade

Uma das coisas mais marcantes que observo nesta pandemia é a ansiedade. O covid-19 irrompeu bruscamente, mudando nossas vidas e trazendo a incerteza. Perdemos o controle sobre muitas coisas, em nível individual e coletivo, e temos que nos ajustar a uma nova realidade. A ansiedade é uma resposta do corpo a este estresse, um sentimento de medo ou apreensão sobre o que vai acontecer. Ficamos à espera do pior, e como não ficar, com tantas notícias ruins na mídia, com tantas questões políticas e econômicas em curso?

Estar infectado é também não ter controle sobre o que vai acontecer. Como o seu corpo vai reagir ao virus? A doença é muito recente, os testes muitas vezes não são disponíveis e são caros, não há tratamento específico. Muita gente tem medo de morrer, tem preocupação pelas pessoas próximas, sobretudo pelos idosos e vulneráveis.

Tenho recebido muitas mensagens simpáticas de amigos e conhecidos quando revelei que tinha me infectado com o covid-19. Percebo que sou querida, é um conforto. Minha família quer saber notícias. Alguns colegas querem ajudar e sem perceber fazem comentários mórbidos, ou mandam artigos científicos dramáticos, ou questionam porque não estou usando hidroxicloroquina. Ontem comentei com uma amiga médica que tinha acordado melhor. Ela, com raiva do momento politico do país, e assustada com a situação atual, respondeu que um médico conhecido tinha melhorado como eu, e dias depois tinha sido intubado.

Eu já estava cansada de falar com tanta gente, de ouvir tantas recomendações, de me preocupar com a evolução meus sintomas, e aquilo foi a gota d’água. A sensação de medo do desconhecido foi se alastrando. De repente percebi que minha dispnéia tinha piorado. Que as minhas mãos estavam frias, que estava com taquicardia. Reconheci minha ansiedade, percebi que estava à beira de um ataque de pânico. Afinal estava sem febre e minha tosse tinha melhorado. Não era o pulmão. Tentei me acalmar. Fechei os olhos, comecei a fazer exercícios respiratórios. Coloquei uma música relaxante, fiz um pouco de mindfulness. O mal estar foi melhorando.

Refleti que não tenho controle algum sobre o que estou passando agora, e que a ansiedade só torna os sintomas piores. Que posso eu fazer se eu tiver uma piora clínica, senão procurar ajuda? Que adianta antecipar desgraça? Tenho empatia pelos meus colegas, mas muitos deles estão mais ansiosos que eu. Eu diria desesperados, aflitos com a sua impotência diante desta pandemia, com medo de se infectar. É preciso calma. Sai da internet por umas horas, me distrai com outras coisas, ri de algumas piadas bobas. Dormi bastante. O repouso é um santo remédio.

Acordei me sentindo melhor, e estou há 36 horas sem febre. Minha disposição está voltando. Coloquei meu kimono vermelho, passei um pouco de maquiagem e entrei rapidamente numa festa virtual hoje de manhã, chamada ‘Morning Glory’. Havia quinhentas pessoas online dançando nas suas casas, gente de todas as idades, usando roupas coloridas e festivas. Uma energia vibrante. Eu adoro uma festa. Melhorou meu humor.

No meio desta pandemia é preciso cuidar nossa da saúde mental. Não temos controle sobre o virus, mas podemos tomar precauções, ajudar a achatar a curva, e arrumar formas criativas de estar em casa. Apesar do assustador número de mortos, os sintomas de covid-19, embora mais desagradáveis para uns que para outros, passam após alguns dias. O auto-isolamento não é o fim do mundo, estamos protegendo as pessoas próximas. E reduzir a ansiedade é essencial, torna inclusive o sistema imunológico mais combativo!

Virna Teixeira